A
descoberta do ouro no então Território
dos Cataguás provocou um verdadeiro alvoroço,
trazendo levas de aventureiros vindos de todas
as partes. Partindo das Vilas Paulistas, os desbravadores
embrenharam-se nas matas sombrias e desconhecidas
em busca do metal precioso. O ouro achado por
Miguel Garcia no Ribeirão Água Suja
em 1694 originou o povoamento da região
da Serra da Itaverava que cresceu rapidamente
como núcleo urbano, ponto de parada e entreposto.
Na região onde se encontra o atual município,
três núcleos de mineração
se formaram a partir das primeiras descobertas
do ouro, originando três distritos: Noruega,
São Gonçalo e São Francisco.
Os distritos de São Gonçalo e
São Francisco eram próximos e
acabaram se unindo num único povoado
que passaria a ser chamado São Gonçalo
das Catas Altas e mais tarde Catas Altas da
Noruega. Como a cata do ouro era fácil,
o povoado cresceu, chegando a contar com uma
grande população.
O termo CATAS ALTAS pelo qual ficou conhecida
a região tem sua origem no processo primitivo
para extrair ouro, que era explorado no sistema
de catas, onde grandes escavações
eram feitas nas areias dos rios até encontrar
a pedra do fundo do leito. Essas areias (ou
cascalhos) eram transportadas para as margens
em bateias (carumbés). Aos poucos, devido
às enxurradas, o processo de catas foi
substituído por outros meios de exploração.
A origem do nome NORUEGA é antiga e frutuosa,
sendo que, a versão geralmente aceita,
de que é nome dado pelos primeiros desbravadores
ao encontrar aqueles morros frios e úmidos
que "escondiam a face do sol".
Por volta de 1750 surgiram os primeiros sinais
de decadência da mineração
e é através de outras atividades
econômicas (comércio, agricultura,
pecuária e serviços) onde a sua
população busca nova alternativa
de crescimento e sustento. Os garimpos não
mais produziam e seu fechamento era inevitável.
O pouco que ainda se conseguia mal dava para
o pagamento do montante fixado pela cobrança
dos quintos do Rei, e que era estendido também
às pessoas que se dedicavam a outras
profissões. A busca de novos destinos,
novos rumos foi a forma encontrada. Outros que
sequer tinham condições para sair
amargaram a miséria, o abandono, a pobreza
e a fome que assolaram os distritos e praticamente
todas as regiões mineiras.
Em 1754, o Conde de Bobadella, Governador das
Minas, Gomes Freire de Andrade, baixou um decreto
estimulando e facilitando a exploração
de novas minas, o que veio reavivar o decadente
Dito de São Gonçalo das Catas
Altas da Itaverava. O reavivamento deste distrito
atraiu novos moradores que ali procuraram se
estabelecer e recomeçar sua vida. Vindos
de toda parte, inclusive do Garimpo da Noruega
que mesmo reaberto não obteve sucesso.
O crescimento do Dito de São Gonçalo
e proximidade com o Dito de São Francisco
os transforma em um único lugarejo.
Até 1718, os povoados pertenciam à
Comarca de Vila Rica (Ouro Preto), quando aos
07 de março, o então Governador
da Capitania, o Conde de Assumar, Dom Pedro
de Almeida, subordinou o distrito à jurisdição
do Termo da recém-criada Villa de Sam
Joseph del Rey (Tiradentes). Em setembro de
1790, com a emancipação do Arraial
dos Carijós e sua elevação
à Vila Real de Queluz (Conselheiro Lafaiete)
os distritos passaram a ser subordinados ao
seu termo.
Sob a jurisdição da Freguesia
de Santo Antônio da Itaverava, criada
pelo Alvará Régio de 16 de janeiro
de 1752, os povoados permaneceram até
1840, quando em 03 de abril foi criada a Freguesia
de São Gonçalo das Cattas Altas
da Noruega, pela Lei Nº 184, subordinada
ao município de Conselheiro Lafaiete.
O território da nova freguesia era constituído
pelas Capelas de Nossa Senhora da Conceição
da Noruega; Capela Nossa Senhora dos Remédios
do Jequitibá; Capela Sant’ana do
Morro do Chapéu (Santana dos Montes);
Capela do Divino Espírito Santo (Lamim)
e as Capelas de Nossa Senhora do Rosário
e de São Francisco de Assis, juntamente
com a Matriz São Gonçalo do Amarante
na sede da Freguesia.
Na Revolução Liberal de 1842,
uma das três colunas das tropas do império
comandadas pelo Conde de Caxias Luís
Alves de Lima e Silva, mais tarde conhecido
como o Duque de Caxias, ficou acampada em Catas
Altas da Noruega para atacar os revoltosos na
Villa Real de Queluz e debelar o Presidente
Interino da Província José Felisberto,
mais tarde o Barão de Cocais, eleito
em Barbacena pelos liberais à revelia
do Império. Foram aproximadamente 700
(setecentos) homens liderados pelo Comandante
José Galvão estacionados em Catas
Altas da Noruega. As outras duas colunas ficaram
estabelecidas em Congonhas do Campo e Ouro Branco
fechando assim o cerco sobre os liberais queluzianos
que lutavam contra a oligarquia conservadora
que dominava e alternava o poder político
no país. Os liberais obtiveram notáveis
vitórias. A permanência das forças
imperiais no arraial e o relacionamento dos
habitantes fizeram com que várias pessoas
recebessem patentes de Tenente, Major e Coronel
da Guarda Nacional. O confronto esperado das
colunas imperiais não aconteceu. A entrada
das forças imperiais na Vila constatou
a fuga do Presidente Interino e o congraçamento
dos soldados reais e revoltosos em vivas ao
Império e ao Imperador e às leis.
Saldo de 02 (dois) mortos.
A ânsia dos mineiros em encontrar ouro
e fazer fortuna foi tamanha que destruiu uma
Capela cujo Orago era São Francisco de
Assis através das escavações
na lavra de mesmo nome. A Capela presídia
da Ordem Terceira de São Francisco de
Vila Rica (Ouro Preto), construída toda
de pedra no início do século XVIII,
estava localizada em um dos pontos mais altos
do Dito de São Francisco, junto com ela
seu cemitério. Em 10 de outubro de 1886
considerando seu estado precário e realizado
um acordo com os mineiros em construir outro
templo em louvor ao mesmo santo padroeiro, o
Bispo de Mariana autorizou a sua demolição.
Os mineiros não cumpriram a promessa
da construção do novo templo em
honra a São Francisco, mas o interior
da capela foi preservado e em 1898 seu altar-mor
foi assentado na capela da localidade da Pirapetinga.
Inaugurada no início do século
XX, a Capela recebeu o nome de São Sebastião
da Pirapetinga.
O município de Catas Altas da Noruega
foi criado através da Lei nº 2.764,
de 30 de dezembro de 1962, desmembrado do município
de Conselheiro Lafaiete, sendo constituído
unicamente do distrito sede e de algumas comunidades
rurais, e instalado em 1o de março de
1963. Atualmente conta com uma população
de aproximadamente 3.500 habitantes, com 2/3
(dois terços) residindo na área
rural.
Catas Altas da Noruega é rota de um
dos antigos caminhos coloniais, o “Caminho
de Dentro”. Um caminho alternativo e importante
para o transporte de pessoas e mercadorias,
especialmente a escoação do ouro
das Minas Gerais. O Alferes José Joaquim
da Silva Xavier (Tiradentes) fiscalizava este
caminho por ordem do Rei de Portugal.